Livros em 2017 – Parte IV

Um leitor vive mil vidas antes de morrer, o homem que nunca lê vive apenas uma. G. R. R. Martin

Depois de um tempo sem novas postagens, voltei com mais 5 resenhas dos últimos livros que li esse ano.

Muitos leitores indicaram (há meses atrás) livros, e possivelmente estarão presentes na resenha do mês que vem.

Como sempre, espero mais indicações nos comentários e caso vocês tenham lido um desses livros, me digam o que acharam.

16. Mahabharata

SinopseUma das narrativas mais fascinantes que o homem produziu sobre si mesmo, o Mahabharata é um épico indiano, escrito em sânscrito. Embora narre a história de uma disputa dinástica entre dois ramos de uma mesma família de dirigentes indianos, o Mahabharata deve ser compreendido como uma narrativa moral e filosófica, mais do que histórica, tanto assim que na Índia se inclui entre as obras religiosas.

Autor – traduzido do sânscrito por William Buck

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Impressões – Quando decido ler livros que vão além do objetivo de entreter (objetivo esse comum de um livro), procuro absorvê-lo de duas formas. Primeiro levo em consideração a história que está sendo contada, considerando-o como um livro de Romance Histórico, da mesma forma que considero os livros de Bernard Cornwell e Conn Iggulden. E depois levo em consideração o sentido religioso/espiritual/metafísico que esse tipo de literatura traz. Hoje trago para vocês minhas impressões relacionadas à primeira consideração, o livro como romance histórico.

O Mahabharata é considerado um dos dois maiores épicos da Índia, sendo considerada a maior obra literária humana, se considerarmos seus quase 200 mil versos, totalizando mais de 2 milhões de palavras.

É, pelo menos, 5 vezes maior que a Ilíada de Homero!

Bem, eu não li a versão completa, pois ela existe apenas em Sânscrito. E mesmo se existisse em português, pensaria muito antes de iniciar uma jornada dessas.

A versão que li é traduzida da versão em inglês de William Buck que condensou os acontecimentos mais interessantes e importantes para o entendimento da “trama”.

O livro conta, de certa forma, a história da Índia tendo como foco uma famosa batalha entre Kauravas e Pandavas (ou nomes parecidos, pois há dezenas de formas de traduzir esses nomes). Essa narração traz aspectos mitológicos, fala sobre deuses, de sábios, de guerreiros, de reis, de demônios. Me lembrou bastante O Silmarillion, mas não consigo explicar muito bem o porquê.

É difícil decorar todos os nomes de personagens que aparecem por aqui, por dois motivos: 1 – São diversos personagens;

2 – Os nomes são diferentes daqueles que estamos acostumados à ler, então demora um pouco para se acostumar;

O livro nos mostra uma sensibilidade diferente na “contação” de lendas. Ainda que haja alguns personagens principais, de vez em quando nos deparamos com pequenas lendas.

Há elementos que devem ser refletidos sem anacronismos, uma vez que há ações que não fazem sentido nos dias de hoje mas fazia, há 3.000 anos antes de Cristo.

Meu personagem preferido é Arjuna. Guerreiro valente, capaz de lutar por sua família, manejando seu arco e sua coragem. Gosto também do cão que acompanha Yudhisthira até o céu, pois há uma grande lição de moral.

Na verdade o livro todo tem uma moral a ser percebida, o que torna o livro também parecido com as fábulas que estamos acostumados à ler.

Um dos capítulos desse livro, considerado um dos mais importantes, se desdobra em outro livro, o Bhagavad Gita. Li Bhagavad Gita nesse ano (abaixo vem a resenha), que falarei mais abaixo.

Por o livro ser denso e a leitura não se desenvolver de forma fluída, avancei bem pouco a cada dia, o que acabou me desanimando em alguns momentos.

Acho que não é um livro ideal para quem procura um romance histórico como os de Cornwell. Mas para quem quer saber um pouco mais sobre os mitos da India e do hinduísmo, é leitura obrigatória.

Nota –

17. Bhagavad Gita

Sinopse – O ‘Bhagavad Gita’ – ‘Canto do Senhor’ ou ‘Canção Sublime’ é o sexto e mais famoso livro do ‘Mahabharata’ (contém 18 capítulos) e descreve, em forma de diálogo entre Krishna e Arjuna, a inquietação metafísica e a tragicidade da condição humana, na véspera da terrível batalha. A obra foi traduzida e comentada pelo filósofo e educador brasileiro Huberto Rodhen.

Autor – ?

Impressões –

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É impossível falar de Bhagavad Gita sem falar de seu conteúdo espiritual. O livro conta a história de Arjuna, um guerreiro Pandava, que estava pronto para iniciar uma guerra contra uma facção de sua família porém, pouco antes do embate, se detém, cheio de dúvidas. Como seria possível matar seus parentes de sangue?

É então que seu cocheiro se revela.

Se revela como Krishna, a encarnação de Vixnu.

E então, no meio do campo de batalha Deus e Homem conversam, e o sentido da vida é abordado nesse poema lindo.

O livro não traz descrições de cenário, se focando apenas em diálogos. É um dos livros mais significativos que li, e facilmente entraria nos Livros que marcaram minha vida.

Por ser um livro que traz praticamente só questões de auto-conhecimento e significados metafísicos, fica difícil analisá-lo como literatura. Por isso, para quem quer ler Gita com foco na literatura, aconselho a ler o Mahabharata, pois esse encontro de Arjuna e Krishna é tratado ali de forma superficial.

Caso queira investigar um pouco mais, Bhagavad Gita é um livro fantástico. E se você gostar, garanto que lerá de tempos em tempos.

Nota –

18. Silêncio

Desde o início da obra missionária até o ano de 1632, apesar das crucificações, fogueiras, suplícios de água, nenhum missionário apostatou. Mas tal marca não tinha como durar, e o golpe enfim veio.

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Sinopse – Profundo observador dos dramas do ser humano, Shusaku Endo revela em suas obras, não só a angústia da fé, como também a busca dos homens pela misericórdia de Deus. Em O Silêncio, seu mais aclamado romance, ele narra a saga de missionários católicos no Japão do século XVII, um período em que cristãos japoneses eram brutalmente oprimidos. A partir de cartas reais, Endo delineia o silêncio duro e sufocante ao qual, tanto jesuítas quanto cristãos, foram submetidos. Eles foram perseguidos, torturados até optarem por se calar eternamente mantendo sua fé ou apostatar e viver em eterno silêncio.

Autor – Shusaku Endo

Impressões – Um livro que, até meses atrás, era bem difícil de ser encontrado no Brasil. Só consegui comprá-lo após ter sido republicado por causa do advento do filme homônimo dirigido por Martin Scorcese.

O livro me impressionou logo no início com um prefácio escrito por William Johnston. Esse prefácio traz informações empolgantes sobre o Japão na época em que missionários católico desembarcaram em suas negras terras para ensinar a religião de Jesus. Me interesso muito por livros com cunho histórico, e esse traz muita informação sobre tal época.

O modo como Shusaku Endo decidiu escrever seu livro, mesclando narrativas em primeira e terceira pessoa nos insere automaticamente dentro da trama.

É possível perceber os nuances da cultura do Japão, (aprofundado ao tratar a religião), nos levando a perceber a condição de vida dos menos favorecidos e a visão religiosa do país como um todo.

A única vez que vi uma representação tão complexa do Japão em um livro foi em Musashi de Eiji Yoshikawa, um escritor japonês magnífico. Ainda que Silêncio careça da genialidade que vemos em Musashi e também não se aprofunda completamente em toda cultura japonesa, não posso negar que o livro me cativou muito. A trama é boa, e a questão da apostatasia (renúncia da religião) é muito bem demonstrada.

Acho que o ponto alto do livro é nos mostrar que os japoneses entenderam o cristianismo errado naquela época, uma vez que tinham uma cultura bem diferente da cultura ocidental, mas ao mesmo tempo tal tema abordado não se restringe apenas àquela época, pois  se olharmos ao nosso redor hoje, podemos perceber a mesma situação se repetindo em nossa sociedade.

Nota –

19. A História de Kullervo

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Sinopse Kullervo, filho de Kalervo, é talvez o mais sombrio e trágico de todos os personagens de J.R.R. Tolkien. O infeliz Kullervo, como Tolkien o chamou, é um desafortunado menino órfão com poderes sobrenaturais e um destino trágico. Criado na propriedade do sombrio mago Untamo, que matou seu pai, raptou sua mãe e tenta matá-lo três vezes ainda menino, Kullervo está sozinho exceto pelo amor de sua irmã gêmea Wanona, e protegido pelos poderes mágicos do cão negro Musti. Quando Kullervo é vendido como escravo, jura vingança contra o mago, mas aprenderá que, mesmo no momento da vingança, não há como escapar do mais cruel dos destino.

Autor – J. R. R. Tolkien

Impressões – Esse foi o ano de ler os livros de Tolkien que não tem ligação direta com sua obra sobre a Terra-Média.

Mais uma vez um livro que me arrebatou com o prefácio. Ver o modo como Tolkien pensa me fascina. É por isso que gosto muito do cartas de J. R. R. Tolkien.

Aqui não é diferente. Há um prefácio onde Tolkien explica um pouco sobre o conto e fala da Finlândia. Além de ler Tolkien de quebra você sabe um pouco mais sobre a história da Finlândia. Nesse ano eu já havia lido o Kalevalla, então estava “imerso” no universo das lendas finlandesas, o que ajudou na leitura.
Esse livro traz inúmeras curiosidades. Foi o conto de Kullervo, a primeira tentativa de Tolkien de escrever um conto.

Nesse conto é possível ver a semente do Silmarillion germinando na mente do autor. É então obra obrigatória para todo fã de Tolkien.

A história não superou o quanto eu gostei do prefácio, infelizmente.

Nota –

20. Os Pequenos Homens Livres

“— Eles acham que as palavras escritas são ainda mais poderosas — sussurrou o sapo. — Acham que toda escrita é mágica. As palavras os preocupam. Está vendo as espadas deles? Elas brilham em azul na presença de advogados.”

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Sinopse – Um perigo oculto, saído de pesadelos, vem trazendo uma ameaça diretamente do outro lado da realidade. Armada com tão somente uma frigideira e seu bom senso, a pequena futura bruxa Tiffany Dolorida deve defender seu lar contra fadas brutais, cavaleiros sem cabeça, cães sobrenaturais e a própria Rainha das Fadas, monarca absoluta de um mundo em que realidade e pesadelo se entrelaçam. Felizmente, ela contará com uma ajuda inesperada: os Nac Mac Feegle da região, também conhecidos como os Pequenos Homens Livres, um clã de homenzinhos azuis ferozes, ladrões de ovelhas, portadores de espadas e donos de uma altura de mais ou menos quinze centímetros. Conseguirão eles salvar as terras quentes e verdejantes de Tiffany?

Autor – Terry Pratchett

Impressões – Se você procura ironia, sarcasmo e acidez e ao mesmo tempo quer rir ao ler uma obra bem escrita, seu escritor é Terry Pratchett. Eu precisaria de um post inteiro só para falar desse autor (Essa é uma boa ideia para o futuro).

Conheço a escrita de Prachtett começando em Belas Maldições (que ele escreveu em parceria com Neil Gaiman) e depois da série Discworld.

Pratchett tem o dom de falar muito escrevendo bem pouco. Há frases tão curtas e sarcásticas que condensam tanto conhecimento, que o livro todo poderia se transformar em citações interessantes. Porém, nem só disso suas obras são feitas.

Terry aborda a Fantasia de forma ímpar. Eu considero Os Pequenos Homens Livres uma de suas melhores obras, e Tiffany Dolorida uma das melhores personagens de Fantasia.

O livro é bem escrito e te prende na narrativa. Você só vai colocá-lo de lado quando ler a última página. Acreditem, esse livro vale a pena! Não quero dar muito spoiler da trama, e acho que a sinopse é suficiente para aguçar a curiosidade de vocês. Se você ainda Não leu nada de Terry Pratchett, perdoe-se, e comece agora a leitura desse livro.

Nota –

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