O Silmarillion – Parte IV

Mais de um ano se passou e somente agora estou retomando essa série de posts sobre o Silmarillion.

Nas últimas semanas li muitas obras de Tolkien, (A História de Kullervo, Ferreiro do Bosque Grande e A Lenda de Sigurd e Grúndun) e isso me fez querer reler alguns trechos de Contos Inacabados e passagens do Apêndice (que é encontrado em O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei).

Por isso voltei minha atenção para esse tema, e resolvi finalizar minha proposta inicial lá em 2015.

O Silmarillion

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Se você ainda não leu os posts anteriores, comece por aqui.

Bem, então vamos lá:

Após Melkor conspurcar as criações sagradas dos Valar, Yvanna decide alertar seus iguais sobre as obras do Senhor do Escuro, pois logo os Elfos despertariam e estariam sozinhos, caminhando nas trevas impostas por Melkor.

“- Poderosos de Arda, a Visão de Ilúvatar foi breve, e logo se dissipou, de modo que talvez não consigamos adivinhar, contando os dias, a hora exata. Contudo, estejam certos do seguinte – o momento se aproxima; e, dentro desta era, nossa esperança será revelada, e os Filhos despertarão. Deixaremos então desoladas e repletas de maldade as terras de sua morada? Será que eles caminharão nas trevas enquanto nós temos a luz? Eles chamarão Melkor de senhor enquanto Manwë tem seu trono na Taniquetil?”

A postura de Yvanna deixa claro que por muito tempo os Valar deixaram Melkor livre para fazer o  que queria. Então agora ela chama seus iguais para levarem a guerra até o Senhor do Escuro. Tulkas se inflama e questiona algo que faz muito sentido.

“Será que um ser sozinho rivalizará conosco para sempre?”

Entretanto, havia algumas informações preciosas na profecia, e a escuridão era necessária para quando os Primogênitos acordassem.

Foi seguindo a profecia que surgiram novas estrelas brilhantes para servirem de guia, quando os Primogênitos despertassem. Foi com os orvalhos de prata dos tonéis de Telperion, que Varda criou tais astros.

“Por isso, ela [Varda], cujo nome desde as profundezas do tempo e da construção de Eä era Tintallë, a Inflamadora, foi mais tarde chamada pelos elfos de Elentári, Rainha das Estrelas. Camil e Luinil, Nénar e Lumbar, Alcarinquë e Elemmírë ela criou naquela ocasião, e muitas outras das estrelas mais antigas ela reuniu e dispôs como sinais nos céus de Arda: Wilwarin, Telumendif, Soronúmë e Anarríma; e Menel-macar, com seu cinturão cintilante, prenúncio da Última Batalha, que ocorrerá no final dos tempos.”

O despertar dos Elfos

Foi apenas após Varda terminar seu trabalho, coroando o Norte com sete estrelas poderosa, a Valacirca (A Foice dos Valar) que os Primogênitos assim despertaram.

O sono de Ilúvatar havia cessado. Os seus Primogênitos haviam despertado e os olhos dos Elfos, primeiro fitaram as estrelas.

É por esse motivo que eles sempre amaram o brilho desses astros e reverenciam Varda Elentári.

Os elfos começaram a dar nomes a todas as coisas que percebiam. A si mesmos chamaram quendi, querendo dizer aqueles que falam com vozes. Não conheciam nenhum ser que falasse ou cantasse. E assim foi por um tempo, até que viram o primeiro Vala.

Oromë encontra os Quendi

Foi em uma caçada à Leste, que Oromë encontrou os elfos.

“Foi assim que os Valar encontraram afinal, como que por acaso, aqueles por quem há muito esperavam. E Oromë, ao contemplar os elfos, encheu-se de admiração, como se eles fossem seres inesperados, maravilhosos e imprevistos; pois assim sempre será com os Valar. De fora do Mundo, embora todas as coisas possam ser prenunciadas em música ou previstas em visões remotas, para aqueles que realmente entrem em Eä, uma coisa de cada vez os apanhará desprevenidos, como algo novo e inaudito.”

Porém, os elfos nunca havia visto um Valar, e tinha receio daquela figura, pois Melkor havia sido o primeiro a tomar ciência do despertar dos Elfos. E então enviava espíritos e lançava o medo sobre eles.

“alguns anos antes da chegada de Oromë, que, se qualquer elfo se perdesse longe de casa, sozinho ou em pequenos grupos, era freqüente que desaparecesse e nunca retornasse; e os quendi diziam que o Caçador o apanhara e sentiam medo. E, de fato, as mais antigas canções dos elfos – cujos ecos ainda são relembrados no oeste – falam de formas sombrias, que perambulavam nas colinas que se erguiam a partir de Cuiviénen, ou que passavam de repente encobrindo as estrelas, ou ainda do Cavaleiro sinistro montado em seu cavalo selvagem que perseguia os caminhantes para apanhá-los e devorá-los. Ora, Melkor sentia um ódio imenso de Oromë e temia seus passeios a cavalo, e ele, ou mandou realmente seus servos obscuros como cavaleiros, ou espalhou rumores mentirosos, com o objetivo de que os quendi evitassem Oromë, se algum dia o encontrassem.”

As obras obscuras de Melkor

Como já citei no post passado, a origem dos orcs está intimamente ligada aos elfos. Melkor  não tinha mais o poder da criação. Então passou a criar seus lacaios a partir de elfos capturados e torturados.

“Melkor jamais poderia criar desde sua rebelião no Ainulindalë antes do Início. Assim dizem os sábios. E, no fundo de seus corações negros, os orcs odiavam o Senhor a quem serviam por medo, criador apenas de sua desgraça. Esse pode ter sido o ato mais abjeto de Melkor, e o mais odioso aos olhos de Ilúvatar.”

A Guerra em Arda

Não demorou muito para que os Valar se dessem conta do destino de Arda, e então declararam Guerra contra o Senhor do Escuro, para defender os elfos.

“- Este é o conselho de Ilúvatar em meu coração: que devemos reconquistar o domínio de Arda, a qualquer custo, e liberar os quendi da ameaça de Melkor.”

A Guerra dos Deuses modificaram a geografia da Terra-Média. E isso é algo que me fascina na história de Tolkien.

Os deuses, suas guerras e suas condutas trazem consequências físicas para o campo de batalha. O relevo de Arda foi moldado pela guerra!

“Melkor enfrentou a investida dos Valar no noroeste da Terra-média, e toda a região sofreu grande destruição. Mas a primeira vitória dos exércitos do oeste foi rápida, e os servos de Melkor fugiram, perseguidos, até Utumno. Então, os Valar cruzaram a Terra-média, e montaram guarda para vigiar Cuiviénen; e daí em diante os quendi nada souberam da grande Batalha dos Poderes senão que a Terra tremia e gemia sob seus pés, e as águas mudavam de lugar; e ao norte havia clarões como os de enormes fogueiras. Longo e angustiante foi o cerco a Utumno, e muitas batalhas foram travadas diante de seus portões, das quais nada chegou aos ouvidos dos elfos, a não ser rumores. Nessa época, a forma da Terra-média foi alterada, e o Grande Mar que a separava de Aman se alargou e se aprofundou. Ele também avançou costa adentro e formou um golfo profundo mais ao sul. Muitas baías menores foram abertas entre o Grande Golfo e Helcaraxë no extremo norte, onde a Terra-média e Aman se aproximavam.
Dessas, a Baía de Balar era a principal; e nela desembocava o caudaloso rio Sirion, que descia das regiões elevadas recém-erguidas ao norte: Dorthonion e as montanhas ao redor de Hithlum. As terras do extremo norte tornaram-se ainda mais desoladas nesse período; pois lá Utumno havia sido escavada a enorme profundidade, e seus subterrâneos estavam cheios de fogos e de grandes contingentes de servos de Melkor.”

Os resultados da Guerra

É dito que após a queda dos portões de Utumno, a Fortaleza de Melkor (para saber mais leia aqui) o Senhor do Escuro fugiu, mas teve que enfrentar a fúria de Tulkas.

Tulkas dominou Melkor, que foi preso com Angainor, a corrente feita por Aulë, o pai dos anões.

Melkor foi levado para Valinor, para o Círculo da Lei, mas sua fortaleza tinha níveis profundos na terra, e muitos seres malignos permaneceram escondidos ali e até mesmo Sauron havia escapado.

O julgamento de Melkor é interessante.

“E ele foi levado ao Círculo da Lei. Ali prostrou-se aos pés de Manwë e implorou perdão; mas sua súplica foi negada, e ele foi levado à prisão na fortaleza de Mandos, de onde ninguém consegue escapar, nem Vala, nem elfo, nem homem mortal. Vastas e fortes são essas construções, e elas foram erguidas a oeste da terra de Aman. Lá Melkor foi condenado a permanecer ao longo de três eras, antes que sua causa voltasse a ser julgada e ele pudesse mais uma vez implorar perdão.”

O destino dos Elfos

“Foi então que ocorreu a primeira cisão dos elfos.”

Os Elfos viram pouca coisa da guerra, e não souberam como ela foi travada entre os Valar e o Senhor do Escuro.

Senão que  a Terra tremia e gemia sob seus pés, as águas mudavam de lugar; e ao norte havia clarões como os de enormes fogueiras.

E após a prisão de Melkor, que foi confinado em Mandos, os Valar se reuniram para decidir o destino dos Elfos.

Ulmo, era da opinião que os elfos deveriam andar livremente pela Terra-Média.

Porém, outros temiam pela segurança dos elfos e também haviam se apaixonado pela beleza daquelas seres, e queriam estar em sua companhia.

É interessante ver que os Valar, seres tão sublimes, haviam se fascinado pela beleza élfica.

Decidiu-se então que os elfos seriam convocados a vir a Valinor!

Os elfos se separam

Tudo o que os elfos conheciam dos Valar era a fúria da guerra, exceto por Oromë que teve um contato primeiro contato ( e mais pacífico) com essa raça.

Sendo assim, nem todos aceitaram o chamado.

Muitos seguiram para Valinor, e ficaram conhecidos por Eldar (nome dado por Oromë).

Entretanto, alguns desrespeitaram a convocação e preferiram a certeza da luz estrelas e da imensidão da Terra-Média do que os rumores à respeito das Árvores de Valinor.

Esses elfos que ficaram, são conhecidos como Avari, os relutantes.

Dos que seguiram até Valinor, haviam três embaixadores que lideraram o povo. Ingwë iniciou a viagem rapidamente, com seus vanyar.

“Jamais, porém retornou nem voltou a lançar seu olhar sobre a Terra-média. Os vanyar eram seu povo. São os belos-elfos, amados por Manwë e Varda, e entre os homens poucos falaram com eles”

Em seguida os noldor iniciaram sua viagem.

“São os elfos profundos, amigos de Aulë; e eles são celebrados em música por terem lutado e trabalhado penosamente e por muito tempo nas antigas terras do norte.”

E o último, e maior grupo foram os teleri.

O que mais chama atenção a respeito dos teleri é que eles não estavam totalmente decididos à deixar a penumbra da Terra-Média para chegarem à Luz de Valinor. Se fixaram no litoral do Oeste.

Chegaram finalmente ao litoral do oeste ficaram apaixonados pelo mar. Passaram a ser, na terra de Aman, os elfos-do-mar, os falmari, pois criavam música ao lado das ondas da arrebentação. Dois senhores tinham eles, pois eram muito numerosos: Elwë Singollo (que significa manto-cinzento) e Olwë, seu irmão.

Entretanto, muitos daqueles que seguiram essa jornada se maravilharam com a beleza da Terra-Média e alguns acabaram ficando pelo caminho. É o caso dos Nandor.

Ergueu-se então alguém do clã de Olwë, que sempre ficava mais para trás no caminho. Lenwë era seu nome. Ele renegou a marcha para o Oeste e levou consigo um grupo numeroso, na direção sul, descendo pelo grande rio, e esses desapareceram do conhecimento de seus parentes, só retomando depois de muitos anos. Eram os Nandor; e se tornaram um povo isolado, diferente dos familiares, a não ser por amar a água e quase sempre habitar as proximidades de cachoeiras e cursos d’água. Sabiam mais sobre seres vivos, árvores e plantas, aves e bichos, do que quaisquer outros elfos.

Sim, a história dos Elfos é intrigante e tão empolgante quanto a história de O Senhor do Anéis. Porém essa é uma longa história, que talvez eu aborde mais tarde aqui no Drunkwookie.

Conclusão

A intenção desses meus 4 posts é desmistificar o Silmarillion e convidar vocês à leitura da obra de J. R. R. Tolkien. Espero ter conseguido.

Conheço muitos leitores que desistiram da leitura por acharem o início um pouco bíblico demais, porém garanto que no desenrolar dos eventos a narrativa ganha uma nova roupagem e vamos nos afeiçoando aos grandes personagens élficos que fazem parte da história de Arda.

Isso sem falar nos grandes nomes da raça dos Homens que brilharam de forma tão resplandecente quanto os Elfos.

Leiam e garanto que vão gostar!

Vocês saberão mais sobre Fëanor, sobre A Queda de Nümenor, sobre Sauron, sobre Gothmog, o Senhor dos Balrogs sobre A Guerra da Ira e sobre meu herói favorito: Ecthelion.

E claro, vocês conhecerão mais sobre todos os Anéis de Poder.

Observações – As imagens de elfos inseridas no post tem a intenção de ilustrá-lo, e não representa necessariamente as raças citadas – noldor, teleri, vanyar, nandor, etc. Os elfos que conhecemos nos filmes descendem, quase sempre de várias dessas raças, uma vez que Eras se passaram desde o Despertar dos Elfos e os eventos de O Senhor dos Anéis. A Galadriel por exemplo tem sangue Noldor e Teleri.

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