Vale a Pena Ler “Mistborn – O Poço da Ascensão” [RESENHA]

Se você acompanha o Drunkwookie, sabe que sou fascinado por livros de Fantasia.

Porém, algo que aconselho a todo leitor:

Nunca leia demais um mesmo tema. Vai acabar saturando.

Isso aconteceu comigo quando terminei todos os livros de Nárnia. Eu simplesmente, não podia pensar em fantasia.

Vin, a Nascida da Bruma por Fernando Franco

Passei a ler outros tipos de livro e depois de um bom tempo, bateu a vontade de voltar à Fantasia.

Aprendi a sempre intercalar gêneros, para evitar exagero. Mesmo uma boa fantasia, pode cansar.

O que é uma Boa Fantasia?

Uma boa fantasia é aquela cuja imersão se dá de forma completa!

Aquela em que você entra de cabeça no mundo proposto pelo autor, conseguindo em pouco tempo desenvolver afeto pelos personagens, sentir saudades pelas localidades visitadas e se ver envolvido na trama.

Mistborn by MarcSimonetti

E se a emersão for difícil, parabéns! Você está diante de uma perfeita boa fantasia.

Foi assim com As Crônicas de Gelo e Fogo, com O Nome do Vento e foi assim com Mistborn.

Assim que terminei Mistborn – O Império Final, percebi que estava fascinado por aquela obra.

Eu já havia decorado os metais usados pra puxar e empurrar, seja ferro ou emoções. Os conceitos alomânticos estavam frescos e memorizado nas minhas “mentes de metal”.  O Senhor Soberano era uma força presente na minha mente, e eu sentia medo dos Inquisidores.

Eu queria ler mais!

E foi isso que me levou a ler e escrever essa resenha.

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Mistborn – O Poço da Ascensão

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Basicamente fechei o primeiro volume e abrir o segundo. Confesso que essa atitude não foi uma das mais acertadas. Normalmente, quando eu leio um livro eu fico alguns dias sem partir para o próximo.

Gosto de parar para pensar um pouco (e muitas vezes escrever sobre) a trama que acabei de finalizar.

Captura de Tela 2017-01-26 às 15.58.09Porém, os resultados finais de Mistborn – O Império Final anunciava que a trama tomaria um rumo completamente diferente daquele que havíamos visto inicialmente. Aquele gosto de E agora? era o que me motivava.

Entretanto, como disse no início do post, a saturação do ambiente fantasioso e a própria mudança, me causou certa estranheza. Isso me fez deixar o livro de lado, após os quatro primeiros capítulos.

Só retomei a leitura depois de um certo tempo. Ainda bem que retornei e pude testemunhar essa obra de arte, escrita pelas mãos de Brandon Sanderson.

E é sobre Mistborn – O Poço da Ascensão que vamos falar agora:

As consequências da queda do Senhor Soberano

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Algo grandioso acontece. Algo impensável é descoberto.

Ao final de Mistborn – O Império Final você vê o Senhor Soberano morrendo pelas mãos de Vin com a estranha ajuda das brumas e descobre ainda que o suposto deus, era na verdade um poderoso alomântico e feruqemista.

A Alomancia tira os poderes dos metais – Marsh falou. – A feruquemia tira os poderes di próprio corpo da pessoa.

– Exatamente – Sazed concordou. – Então, o Senhor Soberano fazia, presumo, era combinar essas duas habilidades.

Ao queimar um depósito feruquêmico que ele mesmo havia criado, ele de fato criava um novo metal alomântico para si… Mistborn – O Império Final – Epilogo, 596.

Captura de Tela 2017-01-26 às 15.58.14Descobrimos que esse o motivo pela vida sobre-humana do Senhor Soberano e esse é o motivo de sua fixação por castrar e manter os terrisanos sob controle. Para impedir que algum alomântico feruquemista pudesse surgir e assim, confrontá-lo.

O novo status de um mundo sem deus

Alguns mistérios foram desvendados, mas como fica o mundo sem o Senhor Soberano? Como a morte dele trará condenação ao mundo? O que é o Poço da Ascensão?

Se alguém estava esperando apenas batalhas de Nascidos da Bruma e Brumosos, Sanderson mostra que não é bem assim. Sua trama é muito mais do que boas cenas de batalha, muito mais do que derrotar àquele no poder há mil anos.
47c4220cbbfba5dbf9a1b16f2049fa01O inicio de Mistborn – O Poço da Ascensão já começa a tratar das consequências e resultados diretos dos eventos de Império Final.

Dos muros de Luthadel, acompanhamos um exército gigantesco marchando em direção à cidade sob o olhar do Rei Elend Venture.

Sim! Com a queda do Senhor Soberano é hora de alguém tomar as rédeas e definir qual será a nova ordem mundial. E esse alguém é o nobre Elend.

Você pensa: Agora os Skaa podem sonhar com uma sociedade mais justa e uma vida de liberdade. Tudo muito bonito! O que Kelsier sempre quis.

Porém, como fazer isso dar certo se em cada região surge alguém reclamando para si o título de rei? Como fazer isso dar certo se há pessoas clamando soberania em cada domínio? Como o sonho de Kelsier se realizará?

Brandon Sanderson opta por desenvolver bem mais o jogo político nesse volume do que em seu predecessor e assim testemunhamos os efeitos práticos da política por toda trama.

Os nobres não aceitam a mudança no status quo de suas vidas e sociedade.

Em vários pontos do Domínio vemos rebeliões e tomadas de poder. Ou seja, um Império que durou milênios, ruiu. E o caos se instaurou.

Você percebe que os skaas e a nobreza não conseguem, de uma hora para outra, se posicionar ante a nova realidade. É Straff Venture quem marcha com seu exército contra seu próprio filho. Elend sabe que a luta de Kelsier seria em vão se Straff Venture tomasse o poder.

Temos nosso primeiro (de muitos) desfio na trama complexa de Brandon Sanderson.

Vin. Entre sua jornada pessoal e os problemas políticos 

Vin, A Nascida da Bruma – por Fernando Franco

Além das discussões políticas, decisões estratégicas e batalhas campais temos muitos outros assuntos a serem abordados. As brumas.

As brumas mudaram de comportamento

A partir do momento em que o Senhor Soberano morre e diz algo estranho mas revelador sobre condenação, as brumas passam a portar-se de um modo diferente.

– Vocês não entendem – ele gemeu. – Não sabem o que eu faço pela humanidade. Eu era seu deus, mesmo que não queiram ver. Ao me matar, estarão condenando a si mesmos. Mistborn – O Império Final – capítulo 38, página 593.

Relatos de moradores, de áreas afastadas das cidades, dizem que as brumas estão mais intensas e agora estariam matando pessoas em plena luz do dia.

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– As brumas estão vindo durante o dia – Marsh comentou em voz baixa. Mistborn – O Poço da Ascensão, capítulo 7.

São esses dois fatos, aliado aos escritos no diário do Soberano, que leva Vin à uma missão quase pessoal em busca do que é o Poço da Ascensão para entender as brumas, o espectro de Bruma que ela vê e o que são os pulsos alomânticos que passa a sentir com frequência.

– Bem, eu o vi de novo – Vin garantiu. – É como um fantasma, formado de padrões nas brumas. Vejo-o todo o tempo, me vigiando, me seguindo. E ouço esses ritmos na cabeça, pulsações majestosas, poderosas, como pulsos alomânticos. ” Mistborn – O Poço da Ascensão, capítulo 49.

Elend, um líder capaz?

Captura de Tela 2017-01-26 às 15.58.19Se de um lado temos Vin agindo como uma guarda-costas e assassina silenciosa, do outro temos alguém buscando aprovação do “bando de Kelsier”e tentando aprender a agir como Rei.

Elend não é um regente, nem líder.

É um garoto que vivia com a cara nos livros e tudo o que sabe sobre política, diplomacia, filosofia e traquejo social vieram dos livros.

Entretanto, o mundo é bem diferente dos livros e vemos isso a cada capitulo que desenvolve a trama de Elend. O garoto precisa aprender, e rápido.

O romance floresce. O ritmo sufoca

Captura de Tela 2017-01-26 às 15.58.23O romance entre Vin e Elend tem o seu porquê de existir é claro, porém as dúvidas que ambos carregam e as diversas vezes que se martirizam por isso, podem até ser consideradas justas, porém não há como negar: São excessivas.

Talvez essa seja minha única crítica negativa ao livro.

Se tais penúrias afetivas estivessem pulverizadas ao longo das 650 páginas, seria algo bem tranquilo. Entretanto, há uma repetição dessa situação em curtos espaços de tempo, o que acaba afetando o ritmo da trama.

Mas devo ser justo.

Se existe um abrandamento de emoções em alguns pontos da história, em outros, meus amigos e amigas, é como se nossas alegrias fossem tumultuadas, logo após uma queima de duralumínio.

Esses momentos acontecem quando acompanhamos a faceta de Vin, a Nascida da Bruma.

Vin, uma personagem maravilhosa. Difícil não amar

Vin está espetacular em Mistborn – O Poço da Ascensão.

Quando não está pensando e se condoendo por causa do amor que sente por Elend, ela está fazendo o que sabe de melhor: Ser uma Nascida da Bruma.

As descrições de suas batalhas, seja contra brumosos, seja contra o misterioso Nascido da Bruma Zane, são simplesmente perfeitas.

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Zane jogou-se para cima dela. Vin esticou o braço para lançar seu peso contra ele, mas percebeu com um susto que ele não carregava mais moedas. Porém, estava empurrando algo atrás dela – a mesma moeda que Vin esmagara contra a parede com seu peso. Ela se empurrou para cima, tentando sair do caminho, mas ele se inclinou para cima também.

Zane chocou-se contra ela, e eles começaram a cair. Enquanto giravam juntos, Zane agarrou-a pelos braços, mantendo o rosto próximo ao dela. Não parecia nervoso, nem mesmo muito enérgico. Ele parecia apenas calmo. Mistborn – O Poço da Ascensão, capítulo 17.

Brandon Sanderson tem a sensibilidade que Cornwell tem para dar vida a uma batalha.

Com a diferença de que NÃO EXISTE um modelo para Brandon se pautar.

O sistema de Magia de Mistborn é único e espetacular.

As lutas entre os brumosos e Nascidos da Bruma são algo totalmente novo para qualquer fã. Então, conseguir evocar de maneira tão realista algo que você nunca existiu, é onde reside um dos pontos geniais do autor.

Ele consegue fazer você imaginar algo complexo e desconhecido de maneira fantástica.

Vin reagiu imediatamente, saltando para longe. Moveu-se com velocidade incrível, resvalando a capa num giro enquanto deslizava pelos paralelepípedos, soltando lascas de pedra e deixando rastros na névoa enquanto ricocheteavam para longe.

– OreSeur, fuja! – ela gritou, embora ele já estivesse fugindo na direção de um beco próximo.

Vin girou agachada, mãos e pés nas pedras frias, metais alomânticos queimando no estômago. Queimava aço, observando as linhas azuis translúcidas aparecendo ao redor dela. Esperou, tensa, vigiando…

Outro grupo de moedas disparou das névoas escuras, cada qual perseguindo uma linha azul. Vin imediatamente queimou aço e empurrou contra as moedas, desviando-as para dentro da escuridão.

A noite ficou novamente quieta. Mistborn – O Poço da Ascensão, capítulo 2.

O bando de Kelsier

Captura de Tela 2017-01-26 às 15.58.27Algo que me cativou muito nesse livro são os personagens secundários.

Em muitas obras acabamos tendo nossa atenção arrastada para o/a protagonista. E isso é normal.

Entretanto, aqui os personagens são tão interessantes e sua importância na trama são tão clara que, cada vez que vemos um capítulo seja abordando Sazed, seja acompanhando Brisa, Fantasma ou Vin, ficamos empolgados.

São núcleos que tem vida própria.

De todos, Brisa é responsável por momentos engraçadíssimos e Tindwyl é uma alegria a parte.

Tindwyl é uma personagem verdadeiramente apaixonante. Ela é uma terrisana que vem ajudar Elend a se portar como um grande líder e monarca.

As discussões entre os dois e os constantes posicionamentos da terrisana, sempre demonstram como Elend é ingênuo. É muito boa a interação deles e na minha opinião os únicos momentos em que Elend empolga. Fora isso, o personagem está tão afundado em problemas políticos e dúvidas pessoais e morais, que não cativam.

Sempre há um outro segredo

Keller assentiu, abrindo a garrafa e servindo três taças.

– O truque é nunca parar de procurar. Sempre há outro segredo. Mistborn – Nascidos da Bruma – O império final, capítulo 5.

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Essa frase de Kelsier, repetido em vários momentos é uma verdade que Brandon Sanderson acredita.

Um segredo, dentro de um segredo, geralmente pode acabar incomodando os leitores.

Porém em Mistborn, Brandon Sanderson desenvolve e insere novos elementos de forma tão orgânica, tão natural, que você aceita um novo segredo.

Se os poderes do Senhor Soberano vinham da mistura de feruquemia e alomancia, o que aconteceu no Poço da Ascensão? O que era o poder que o homem que escreveu o diário de viagem, quem quer ele tenha sido, devia supostamente encontrar?

Mistborn – O Império Final – Epilogo, página 597.

Esse segredo não desvendado nos atiça! Uma vez dentro da Fantasia, você acaba se sentindo parte do bando de Kelsier. E não estou exagerando, não.

Você vai descobrindo com eles, cruzando informações como eles, tentando encontrar uma solução.

Com o desenvolvimento da tradução do diário do Senhor Soberano, os personagens (e nós) vão digerindo as informações.

Sobre o diário, eu peço para que você releia apenas o diário (citações em itálico, antes do início de cada capítulo), depois que terminar o livro. Você vai adorar!

Mais informações sobre o mundo criado

Kandras

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Contudo, o pensamento de OreSeur comer um deles – digerir o cadáver, deixar que os estranhos sentidos kandras memorizassem o posicionamento dos músculos, pele e órgãos para que ele pudesse reproduzi-los – a deixava enjoada.

Olhou para o lado e viu o escárnio velado nos olhos de OreSeur. Os dois sabiam o que ela pensava sobre ele comer corpos humanos. Os dois sabiam o que ele pensava do preconceito dela. Mistborn – O Poço da Ascensão, capítulo 2.

Aqui conhecemos um pouco mais sobre os Kandras, uma raça de criaturas que podem, após absorver os ossos de criaturas mortas, assumir sua forma.

Tínhamos um Kandra em O Império Final. Ele é Oreseur, e se passava por Renoux e depois se passou por Kelsier, o que fez com que o Sobrevivente de Hasthing começasse a ser venerado como um deus.

Percebam, Brandon já havia inserido o conceito de kandra no primeiro livro, chamando atenção ao modo como Renoux “não saía d o papel” e agora começa a desenvolver o conceito de forma mais profunda.

E se você se surpreendeu com isso, espere para ver no ultimo volume da trilogia.

Feruquemia, Inquisidores e Koloss. Novos elementos, novos horizontes

Captura de Tela 2017-01-26 às 15.58.36A Feruquemia passa a ser algo citado com mais frequência e vamos vendo os seus efeitos.

Já Marsh, como Inquisidor, passa a ser o ponto de vista pelo qual entendermos um pouco mais sobre a vida e criação desses seres desesperadores, com estacas de aço fincada nos olhos.

Já os Koloss, eram criaturas mantidas longe do Domínio Central, mas que agora começam a avançar sobre a cidade.

Essas são criaturas citadas no primeiro livro, abordadas agora no segundo e serão desmistificadas no terceiro.

Aos poucos novos contornos vão sendo inseridos na trama e vamos vendo que a obra cresce a cada capítulo.

Sazed e a Fé

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Falando sobre religiosa adoração e deuses, Sazed ainda busca entender todas as religiões existentes, que foram sumindo pelo milênio.

A abordagem da fé, religião e seitas ganha força nesse volume e prepara o leitor para revelações chocantes até o final da trilogia.

São esses elementos que quero que vejam. Brandon Sanderson vai abordando, como quem não quer nada, como se fosse um fato curioso e divertido de ser inserido na trama, porém não se engane.

Todo assunto abordado tem relevância para a conclusão dessa saga.

Conclusão

O livro é repleto de magia, reviravoltas, emoção, perdas profundas e batalhas memoráveis.

Tudo aquilo necessário para uma imersão completa e uma emersão complicada. Ou seja, uma obra de Boa Fantasia.

O final nos apresenta um novo status quo! Há mudanças significativas em Elend.

Após terminar o livro você em certeza de que a vida de alguns personagens mudarão para sempre.

Elend, Fantasma e Sazed são aqueles cuja vida será atingida de maneira única! Além, do mundo que está ruindo! E tudo por culpa de… Vin?

É claro que esse cliffhanger te empolga para ler o próximo! Sim, você vai ter aquele ímpeto de ler o próximo livro, logo em seguida.

A sensação que dá no final é: Como manter a fé, quando tudo parece ruína ao seu redor?

Bem… O Herói das Eras pode responder. E ele responde, logo no início do último volume.

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