Livros para 2017 – Parte I

Um leitor vive mil vidas antes de morrer, o homem que nunca lê vive apenas uma. G. R. R. Martin

Diferentemente dos outros anos, não publicarei uma lista (o famoso book haul) com os livros que lerei esse ano.

Por que?

Porque no ano passado alterei praticamente toda minha lista.  Sempre tem leitores me indicando livros tão interessantes que eu deixo de lado as minhas escolhas iniciais. Sem falar em lançamentos que aparecem na nossa frente, que é impossível deixar de lado. Então, decidi ler a medida que os livros vão aparecendo para mim! Seja por indicações, seja nas livrarias, ou até aqueles perdido por aqui no Caos e desorganização que reina nos meus domínios.

Como no ano passado eu li bem menos do que gostaria, iniciei 2017 lendo bastante! Consegui deixar de me preocupar com os problemas monetários mais urgentes do Drunkwookie, graças ao novo fôlego que a ajuda das Madrinhas e Padrinhos me proporcionou!

Madrinhas e Padrinhos? Sim, como de costume vou situar o pessoal que ainda não sabe do Projeto Madrinhas e Padrinhos que iniciei no Padrim, e na sequência teremos minhas primeiras resenhas dos livros lidos esse ano.

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Antes de iniciarem a leitura, peço que dêem uma olhada no meu projeto Drunkwookie no Padrim. Caso decidam ser madrinha ou padrinho do site, seria fantástico! A contribuição servirá para o site continuar no ar, melhorar cada vez mais e trazer, com mais rapidez e frequência teorias e novidades do mundo literário.

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1. A Música do Silêncio

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Sinopse – Debaixo da Universidade, bem lá no fundo, há um lugar escuro. Poucas pessoas sabem de sua existência, uma rede descontínua de antigas passagens e cômodos abandonados. Ali, bem no meio desse local esquecido, situado no coração dos Subterrâneos, vive uma jovem.  Seu nome é Auri, e ela é cheia de mistérios.  A música do silêncio é um recorte breve e agridoce de sua vida, uma pequena aventura só dela. Ao mesmo tempo alegre e inquietante, esta história nos oferece a oportunidade de enxergar o mundo pelos olhos de Auri. E nos dá a chance de conhecer algumas coisas que só ela sabe…
Neste livro, Patrick Rothfuss nos leva ao mundo de uma das personagens mais enigmáticas da série As Crônicas do Matador do Rei. Repleto de segredos e mistérios, A música do silêncio é uma narrativa sobre uma jovem ferida em um mundo devastado.

Autor – Patrick Rothfuss

Data de lançamento – 2015

Impressões – A Música do Silêncio foi um livro complicado para mim. Iniciei sua leitura lá em 2015, porém desisti.

Agora, no início de 2017 voltei a ler e gostei da proposta honesta de Patrick Rothfuss. Tanto que, além de uma resenha do livro fiz um post voltado a teorias, que vocês podem conferir clicando na imagem abaixo.

Para ler a resenha/teoria, clique aqui

Nota – 

2. Elric de Melniboné

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Sinopse –  A história de ‘Elric de Melniboné’, o imperador albino e feiticeiro, é uma das grandes criações de fantasia moderna. Um fraco e introspectivo escravo de sua espada, Stormbringer, ele é também um herói cujas aventuras e andanças sangrentas levam-no, inevitavelmente, a intervir na guerra entre as forças da lei e do caos. Um clássico do gênero espada e feitiçaria, Elric de Melniboné é um ícone excepcional da fantasia de violência, poder, política e guerra.
Neste livro, Elric enfrentará a ameaça ao império de Melniboné e transitará entre o uso da magia e seus princípios morais, que o impedem de tomar algumas decisões. Além disso, sua amada Cymoril encontra-se em perigo, e ele não medirá esforços para salvá-la.
Pela primeira vez, a editora Generale traz para os leitores brasileiros a tradução dos textos originais da Saga de Elric de Melniboné, sendo este o primeiro livro.

Autor –  Michael Moorcock

Data de lançamento – 1972

Impressões –  Bradado como sendo o anti-Tolkien, acreditei que o clima do livro fosse algo extremamente sombrio. Entretanto, não foi isso que encontrei.

É claro que devemos levar em consideração a época em que o livro foi escrito. No início da década de 70 Michael Moorcock escreveu sua obra, buscando contrapor aos ambientes bonitos e bem definidos de Tolkien.

Elric de Melniboné inspirou a contra-cultura daquela época, de maneira muito parecida com O Senhor do Anéis.

Temos bandas que se dedicaram à tal obra, temos RPGs e até tivemos a propagação de um termo cunhado pelo autor. A Fantasia de “Capa e Feitiçaria”.

Realmente a obra se enveredou por caminhos diferentes, nunca abordados (ou pouco abordados, na época).

Se olharmos por esse prisma, Elric passa um pouco longe do conceito capa e espada, trazendo um clima um pouco mais cinza, um pouco menos maniqueísta das obras de Tolkien.

Entretanto, comparado com a vascularização da Fantasia nos tempos atuais, a veia “transgressora” de Moorcock acaba se perdendo bastante.

Um herói “viciado” em drogas para manter-se em pé, é o imperador que senta no trono de Rubi. A raça dos melnibonianos é uma raça hedonista, cruel, e mantém rituais e hábitos bem sombrios. Porém, nesse primeiro volume, nosso Imperador vai no sentido contrário da raça. É um leitor ávido, sempre buscando outros caminhos para manter seu reino vivo.

Isso causa inveja e até mesmo questionamentos se ele é a pessoa correta para ser imperador de um povo tão orgulhoso.

A técnica narrativa conhecida como Deus Ex Machina age impiedosamente na obra, o que me incomodou bastante. Talvez, nos próximos livros veremos um Elric antagônico, cruel, e assim Moorcock faria jus à alcunha de Anti-Tolkien.

Por ora, (enquanto não li o final da obra) defino essa obra como uma obra importante para a época, que foi capaz de influenciar a cultura nerd daquela época. Assim como Tolkien, Jack Vance e Anne McCaffrey, porém sem um viés tão contraditório e polêmico quanto disseram.

Nota –

3. Cabeça de Turco

Sinopse –  ‘Cabeça de Turco’ é a narrativa de uma incursão nos porões de uma civilização moderna. Um documento que demostra até que ponto podem chegar a incompreensão, a distância e o desprezo pelo seu semelhante. O autor escreve sobre a situação de milhões de estrangeiros – em especial turcos, iugoslavos, gregos, espanhóis – que vivem na Alemanha. Então, assumiu a aparência de turco, provavelmente o ser humano que ocupa o lugar mais baixo na escala de valores da sociedade alemã contemporânea.

Autor – Günter Wallraff

Data de lançamento – 1985

Impressões – Esse livro me foi indicado em 1999, após uma dúvida que tive (e nem me lembro mais qual era) e queria sanar com um professor de História do primeiro ano do Colégio. O professor disse: Leia Cabeça de Turco. É claro que naquela época eu não me interessei muito em ler um livro inteiro para ter uma resposta. Eu estava lendo As Duas Torres e não tinha muito interesse em ler algo chamado Cabeça de Turco.

18 anos depois, cá estou eu falando sobre Cabeça de Turco.

Um livro investigativo escrito pelo jornalista e escritor Günter Wallraff, um alemão que decide se passar por turco para vivenciar o modo como os imigrantes eram tratados nos vários trabalhos da Alemanha.

O livro é uma denuncia ao modo como os imigrantes eram tratados. Vemos que de forma desumana, os imigrantes eram forçados à extenuantes jornadas de trabalho, muitas vezes em degradantes condições de higiene, sem nenhuma proteção ou segurança, recebendo um valor tão ínfimo que era difícil qualquer imigrante não ser praticamente um mendigo.

Esse livro traz muita reflexão, e podemos ver um pouco como os alemães agiam, poucas décadas após a queda do império nazista.

Se não bastasse, o preconceito enfrentado por todos eles, sejam poloneses, iugoslavos, gregos mas principalmente turcos, era desprezível. Difícil acreditar que alguém consiga realmente pensar daquela forma.Porém, hoje 30 anos depois, se olharmos ao redor entendemos que realmente existem pessoas assim. Infelizmente.

A situação na época era bem complicada. o desemprego na Alemanha atingiam índices absurdos. Entretanto, os alemãs mais velhos tinha em mente apenas as boas ações de Hitler que, em 4 anos (1933 a 1936) praticamente extinguiu o desemprego. Seis milhões de desempregados foram reduzidos a poucas centenas.

50 anos depois, a Alemanha caía novamente e isso inflamava os ânimos dos alemães, acreditando que os estrangeiros haviam tomado seus lugares.

Porém, percebe-se que 100 mil imigrantes (que faziam o trabalho que nenhum alemão queria fazer) não era a causa de tal depressão econômica.

Entretanto, ninguém se dava ao trabalho de tentar entender e refletir. O ódio sempre foi o caminho mais fácil para refutar assuntos que exigem reflexão. Vemos isso hoje (escolha uma mídia social, role o feed por 5 segundos, e você verá), o que dirá naquela época.

Essa instabilidade econômica era ótima para os grandes empresários que aproveitavam a situação para explorar os estrangeiros. Jornadas de 10 a 12 horas, turnos extras, condições insalubres, trabalhos perigosos. Tudo isso visando um lucro exacerbado.

Foi então que, Günter, um alemão jornalista, decidiu se passar por imigrante. E por meses viveu na pele de um imigrante turco. Em seus relatos vemos até onde o ódio, o medo, o desconhecimento vão.

E claro, vemos como o ser humano é ganancioso, pouco se importando com um ser humano, caso isso não dê lucro.

Nota – 

4. Zadig ou O Destino

A Saraiva disponibiliza de graça essa obra, em sua versão digital

Sinopse – Voltaire cultivou todas as manifestações literárias – tragédia, romance, conto, poesia, filosofia, história, ensaio e sátira – e criou uma outra: o conto filosófico. Foi exatamente neste último gênero que melhor se evidenciou o talento ágil do escritor. Zadig ou O Destino pertence a este grupo. No conto revela-se toda a genialidade deste escritor que se tornou um símbolo da razão livre. Em Zadig ou O Destino está presente o espírito flexível, engenhoso e vivaz deste homem que combateu todas as formas de preconceito

Autor –  Voltaire

Data de lançamento – 1747

Impressões – Zadig  ou o Destino é um livro escrito pelo filósofo iluminista Voltaire. Há 370 anos atrás, Voltaire escrevia o primeiro conto filosófico da história. A influência do Oriente na Europa era muito grande e é possível perceber isso no texto.

O livro conta a história de Zadig, um homem brilhante, que sempre se vê em uma péssima situação, vitima de seu próprio conhecimento e inteligência.

Isso vai se alastrando e piorando e vemos, dentro do texto irônico de Voltaire, que aquele que se destaca, ou seja o homem culto e inteligente, tende a ser atingido em cheio pelas mazelas da Providência, ou Destino.

Por todo o texto Zadig se vê em situações ruins por causa da sua tentativa de ajudar os outros com seu conhecimento. Entretanto, é essa mesma inteligência que o salva dos momentos mais tensos, beirando a morte.

O tema é a inteligência e os resultados práticos de sua aplicação, pelo menos foi assim que eu o interpretei. O pobre Zadig, ou o Destino, nos mostra que a vida pode ser triste, mesmo que você tenha conhecimento de muita coisa.

O Destino é inexorável.

Essa foi a frase que me veio na cabeça por todo o livro.

Gostei muito do modo como ele insere ironia em seus texto, como as situações parecem absurdas, mas passam a fazer sentido com o desenrolar da trama.

Nota 

5. Kalevala

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Sinopse – Kalevala é fruto de um trabalho de pesquisa, compilação e composição realizado a partir de várias fontes da tradição oral camponesa. Composto de cinquenta cantos, tornou-se a obra fundante da literatura finlandesa e um forte símbolo de identidade nacional. Nesta edição bilíngue, Álvaro Faleiros e José Bizerril apresentam o “Poema Primeiro”, que abre a epopeia. Nele, o erudito romântico Elias Lönnrot relata a criação do mundo e o nascimento de Väinämöinen, personagem central da narrativa.

Autor – Elias Lönnrot

Data de lançamento – 1835

Impressões –  Acredito que é graças à Elias Lönnrot, um linguista e etnógrafo finlandês, que hoje a Finlândia existia, como a conhecemos.

pode parecer exagerado, mas há elementos que podem comprovar essa minha suposição.

Foi após a publicação do Kalevala, em Finlandês (algo inédito até então) que o sentimento nacionalista voltou  tomar conta desse povo que vinha sendo dominado há muito tempo. Primeiro pelos suecos, depois pelos russos.

Foram esses contos, coletados pelo interior da Finlândia que foram capazes de reatar o amor dos finlandeses por seu país, fazendo-os sentirem-se únicos, orgulhosos de suas origens, sua língua, fazendo-os desgarrarem-se de seus dominadores.

É uma pena, que em nossa língua só temos o primeiro poema, dos cinquenta, referentes às historias, lendas e contos finlandeses. Entretanto, o trabalho maravilhoso feito pelos brasileiros José Bizerril e Alvaro Faleiros é digno de aplausos.

Eles tentaram trazer para nós a mesma sensação do poema, lido em Finlandês. A escolha das palavras  e a métrica, ajudam a te colocar na história.

Boa parte dessa nota vai para os tradutores que tiveram um trabalho absurdo para nos trazer essa obra.

Conhecer um pouco da história da Finlândia me fez querer ler a obra de Tolkien, e também (finalmente) terminar a leitura das Eddas Poéticas, que trazem as lendas e histórias dos noruegueses e escandinavos em geral.

Nota – 

6. O Urupês [conto]

Sinopse – Considerado como o verdadeiro precursor da ficção modernista brasileira, URUPÊS, o primeiro livro de Lobato, é um livro fora do comum: tanto do ponto de vista literário quanto histórico. Marcou época e foi também um marco divisório em nossa literatura nacionalista. Quando nossos escritores voltavam-se para a Europa, copiando seus moldes e seus estilos, Lobato, com Urupês, volta-se corajosamente para o Brasil, para as coisas e problemas brasileiros, falando de nossa terra, de nosso povo, de nossas dores e problemas, num estilo que é nosso.

Autor – Monteiro Lobato

Data de lançamento – 1918

Impressões – Um conto preconceituoso, cujo o único elemento positivo a ser citado é a forma narrativa muito bem desenvolvida.

Li e fiquei bem estarrecido com o conteúdo desse conto e com a visão de Monteiro Lobato sobre o caipira, sobre o caboclo.

Por todo o conto, Monteiro Lobato descreve Jeca Tatu, o seu personagem brasileiro. Ele pontua que, depois do índio brasileiro, figura constante no Romantismo brasileiro (a fase literária que mais gosto do nosso País), temos o caboclismo. A fase do homem que pouco ou nada faz a seu favor, sempre optando pelo mais fácil.

Algumas pesquisas sobre o autor me mostram posições diferentes. Diendo que essa grande obra é uma crítica ao governo e sua conduta para com o sertanejo. para com o homem do campo.

Toda essa defesa se apega a frase “O Jeca não é assim, ele está assim”.

Bem, lendo todo o texto e todos os ataques dirigidos à a figura do caboclo, você percebe que o ataque é ao homem, não ao governo. Infelizmente, uma obra bem difícil de aceitar e digerir.

Usar técnicas narrativas para enaltecer a falta de higiene, a preguiça, a fé cega à própria ignorância, não me parece ser uma tentativa de atribuir culpa ao governo.

Enfim… Para mim, que não sou um estudioso de época, o texto de Monteiro Lobato é ofensivo.

Não uma ou duas frases onde podemos, tentar, dizer: Ah, mas isso nos situa dentro de uma época determinada”.

Não, é um livro inteiro, que desmerece a figura do sertanejo, do caboclo, do homem simples do campo. Não concordo com a visão do texto, mesmo se for para atingir o governo.

Lembrando que a palavra Urupês, vem de urupe, um tipo de parasita vegetal.

Nota

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Fico por aqui com essas cinco resenhas, e logo volto com mais livros. E vocês o que já leram esse ano?

5 Comentário

  1. Fernando Pita Fernando Pita
    9 de março de 2017    

    Um bom complemento para o “Cabeça de Turco” é o “Meu inimigo sou eu”, em que um repórter judeu se faz passar por palestino, durante o tempo da Intifada. Excelente e tão – ou mais contundente – que o “Cabeça”…

    • 9 de março de 2017    

      Sério? Já vai para a lista. Quer ver isso!

  2. Fernando Pita Fernando Pita
    9 de março de 2017    

    Li o “Elric” quando foi publicado pela Cedibra no Brasil – fins dos anos 80 – e, na boa, acho que as linhas gerais do universo de Elric contribuíram, e muito, para a criação dos Targaryen, décadas depois…

    • 9 de março de 2017    

      Ponto de vista interessante, realmente gostei. Você leu a saga toda? Eu preciso ler o restante da saga. E quero ver se enxergo um pouco mais de Targaryen ali.

  3. Elton Elton
    9 de março de 2017    

    Numa palestra sobre a história do “caipira” que eu assisti uma vez, o palestrante disse que o Monteirão tinha um certo asco do caipira, pois ele era de uma família que enriqueceu a custa dos outros e a parte pobre de sua família, predominantemente de sertanejos, tentava a todo custo retomar o que eles acreditavam ser de seus direitos. Daí a raiva do Monteiro contra os “caipiras”. E pelo que parece ele deixa bem evidente no Urupês, que era quase que um manifesto da nova classe rica Paulista da época.

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