Livros em 2017 – Parte II

Um leitor vive mil vidas antes de morrer, o homem que nunca lê vive apenas uma. G. R. R. Martin

Voltamos com mais um post sobre os livros de 2017.

Esse foi um mês produtivo, então temos mais cinco resenhas que trazem livros bem diferentes do que estou acostumado a ler e comentar.

Graças a leitura do Kalevala e depois a leitura das Edda em Versos, que foram responsáveis  me levaram a interessantes pesquisas, e até o final do ano vou resenhar mais livros que trazem mitologia de países europeus.

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Antes de iniciarem a leitura, peço que dêem uma olhada no meu projeto Drunkwookie no Padrim. Caso decidam ser madrinha ou padrinho do site, seria fantástico. A contribuição servirá para o site continuar no ar e melhorar cada vez mais.

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6. Infância, Adolescência e Juventude

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Sinopse – Infância, Adolescência e Juventude são talvez as obras mais autobiográficas do grande escritor russo Lev Tolstói (1828-1910). Quase uma década antes de Guerra e paz e duas antes de Anna Karênina, o autor inspirou-se em eventos e pessoas reais para compor esta trilogia. É aqui que Tolstói revela seu domínio narrativo quanto à descrição da vida interior dos personagens – técnica que é a característica literária principal de suas obras-primas. Narradas por Nikolai Irtêniev, garoto nascido na nobreza rural, as três novelas formam um verdadeiro painel da Rússia tsarista. As relações entre senhores e servos, os devaneios de juventude, os costumes da alta sociedade moscovita – esses e outros temas caros ao autor são tratados com maestria neste romance de formação, pela primeira vez disponível ao leitor brasileiro em tradução direta do original em russo.

Autor – Lev Tolstói

Data de lançamento – 1852, 1854 e 1857

Impressões – Simplesmente fantástico. Eu nunca li um livro que fala sobre trivialidades da vida com tamanha sensibilidade. Tolstói é um gênio da literatura e a facilidade em transmitir emoções com sua escrita é de aplaudir.

Normalmente sou arrebatado em instantes para dentro de histórias que contenham magia, mistérios, dragões, mundos novos, traições e reviravoltas. Porém, fui arrebatado por Infância, Adolescência e Juventude. Não existe nenhum dos elementos que pontuei, mas mesmo assim é surpreendente como ele trata o dia-a-dia de uma família aristocrática russa.

Lendo autores russos, percebi que a personalidade russa difere bastante da personalidade Ocidental e até mesmo da Oriental que estamos acostumados a ver (no caso dos japoneses, chineses). Existe uma grande luta para guardar sentimentos, mas também uma facilidade enorme em falar consigo mesmo em momentos solitários. Há alguns anos atrás eu li um bom livro que reunia vários contos de autores russos e eu tive essa mesma sensação.

Nikolai é um garoto comum, rodeado por pessoas que ele admira e o acompanhamos desde suas primeiras memórias da infância até sua juventude. Paralelo a isso, vamos entendendo um pouco sobre a vida aristocrática, os custos para manter tal vida, como a vida dos funcionários que se assemelhavam a escravos, na minha opinião. A realeza russa, a necessidade de aulas de francês, etc.

É um salto no passado. Ainda que não seja o nosso passado é interessante “viver” um pouco do que era vivido na Rússia.

Essa leitura me inspirou a procurar mais textos do autor.

Nota – 

7. Hamlet

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Sinopse – A peça, situada na Dinamarca, reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai, Hamlet, o rei, executado por Cláudio, seu irmão que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a rainha. A peça traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida — do sofrimento opressivo à raiva fervorosa — e explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade.

Autor – William Shakespeare

Data de lançamento – 1601

Impressões – Como gostei dessa obra. Shakespeare é um nome muito conhecido na Literatura. Até mesmo quem não é fã de livros, sabe quem ele é ou já ouviu esse nome. Conheço muito sobre o autor mas li quase nada de sua obra. Então decidi ler, aos poucos, todas as obras de Willian Shakespeare. A meta é até o final de 2018 ler todas as obras dele. Espero conseguir conciliar.

O jovem Hamlet se encontra com o fantasma de seu pai, que declara ao filho quem foi o responsável por sua morte. A dúvida invade o ser de Hamlet. Pois, como confiar na visão de um ser sobrenatural?

Por toda a peça vemos as dúvidas de Hamlet crescerem e há momentos que essa dúvida atinge o leitor. Você pensa se Hamlet está louco ou se é apenas um plano para conseguir vingar seu pai?

Há diálogos muito interessantes que conduzem a obra de maneira muito empolgante. O clima de “teatro” não incomoda em momento algum. Vale a pena ver como as relações de amor/ódio eram tratadas naquela época.

Acredito que existam centenas de estudos sobre essa obra, que possam mostrar subtextos bem interessantes. Eu apenas li, me diverti e senti vontade de ler mais peças de Shakespeare. Realmente é uma leitura que vale a pena.

Nota –

8. Duas Narrativas Fantásticas

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Sinopse – Designadas pelo próprio autor como ‘narrativas fantásticas’, as duas novelas aqui reunidas foram publicadas pela primeira vez nas páginas do ‘Diário de um Escritor’, publicação mensal redigida por Dostoiévski entre 1876 e 1881. Em ‘A Dócil’, um homem desesperado de seu relacionamento, tentando compreender passo a passo as razões que a levaram ao suicídio. Já em ‘O sonho de um homem ridículo’, o narrador, a ponto de acabar com a própria vida, adormece na poltrona diante do revólver carregado. Principia então um dos sonhos mais extraordinários da história da literatura, durante o qual Dostoiéviski anuncia a possibilidade de uma vida utópica em outro planeta antes de seus habitantes serem contaminados pelo veneno da autoconsciência.

Autor – Fiódor Dostoiévski

Data de lançamento – 1876 a 1881

Impressões – Essas duas narrativas fantásticas são ótimas fontes para sentir como os russos vêem o mundo. Acho que as minhas leituras foram, inconscientemente, focadas para isso. E gostei do rumo que tomei.

Dostoiévski é um ótimo escritor. Não há uma história dele que li e não adorei.

Em “A Dócil” está claro a loucura singular que existe nas nossas cabeças. Por todo o texto você vê o protagonista teorizar sobre as atitudes de uma personagem que depois se torna sua esposa. Em cada ato dela, ele encontra uma motivação estranha, perturbadora e quase nunca isso é saudável. Entretanto, por mais que ele passasse a vida decifrando sua esposa, o diálogo quase nulo, na minha opinião foi o que causou o evento final do conto.

Já “O Sonho do Homem Ridículo” é um conto que não há como não se afeiçoar e tirar lições dali de dentro.

O que posso dizer é que esses dois contos, mesmo sendo curtos necessitam de atenção na leitura, e as vezes é preciso reler alguns capítulos mais de uma vez, para assimilar o conteúdo. Muita informação, em poucos parágrafos, podem fazer você se perder.

Ainda mais que em “A Dócil” nós estamos praticamente dentro da mente de um homem que acabou de passar por uma tragédia. Então, seus pensamentos são desconexos, e não seguem uma ordem cronológica sensata. Isso deixa tudo ainda mais interessante.

Nota – 


9. A Torre Negra, Volume I – O Pistoleiro

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Sinopse – Este livro é o primeiro dos sete volumes de série A Torre Negra, obra mais ambiciosa do escritor Stephen King. ‘O Pistoleiro’ apresenta ao leitor o fascinante personagem de Roland Deschain. O pistoleiro acredita que um misterioso personagem, a quem se refere como o homem de preto, conhece e pode revelar segredos capazes de ajudá-lo em sua busca pela Torre Negra, e por isso o persegue sem descanso. Pelo caminho, encontra pessoas que pertencem a seu ka-tet – ou seja, cujo destino está irremediavelmente ligado ao seu. Entre eles estão Alice, uma mulher que Roland encontra na desolada cidade de Tull, e Jake Chambers, um menino que foi transportado para o mundo de Roland depois de morrer em circunstâncias trágicas na Nova York de 1977. Mas o pistoleiro não conseguirá chegar sozinho ao fim da jornada que lhe foi predestinada.

Autor – Stephen King

Data de lançamento – 1978

Impressões – Eu tenho um problema com Stephen King. Foram poucos os livros dele que eu encarei a leitura.

Os finais de capítulos dele são extraordinários. Você não consegue fechar o livro. Você precisa ler o próximo capítulo. É como se fosse uma droga altamente viciante. Porém, os finais para mim, não foram uma grande experiência literária. Li Sob A Redoma logo quando saiu. Achei o livro bárbaro. Lia com uma rapidez absurda, mas o final me decepcionou. Não que seja ruim, ele é estranho.

Assim como não me empolguei com o final de O Iluminado.

Porém, com o Pistoleiro a história foi outra. Fiquei fascinado pela trama, desde o primeiro parágrafo. O livro traz um mundo inteiramente novo, e ao mesmo tempo conhecido, todo construído nas entrelinhas das descrições. nada é descrito diretamente. Você sente o mundo à volta, acompanhando Roland.

King realmente faz jus ao nome que tem.

A cena que mais me cativou foi o momento em que ele está deixando a cidade de Tull, e os flashback que nos levam para sua juventude, quando estava treinando.

Eu não quero falar muito para não estragar a surpresa. A química que Roland tem com Jake é muito boa. E os elementos que rodeiam a origem de Jake nos faz perceber que o mundo de onde ele veio é bem parecido com o nosso.

Tudo parece subjetivo, mas o impacto é bem objetivo. Uma nova mitologia adicionada às minhas preferidas. Ainda esse ano quero ler A Escolha dos Três e As Terras Devastadas.

Nota –

10. Edda em Verso (ou Edda Poética)

Autor – vários autores desconhecidos

Data de lançamento – elaborado em 1270

Impressões – São 11 poemas históricos e 9 heróicos. Eu li apenas os 11 históricos e pude ter um conhecimento muito grande sobre os antigos costumes da Noruega e sobre sua mitologia e crença.

  • Völuspá A profecia da mulher sábia, A profecia da vidente)
  • Hávamál (A balada do mais alto, Os ditos de Hár, Os ditos do mais alto)
  • Vafþrúðnismál (A balada de Vafthrúdnir, A canção de Vafthrúdnir, Os ditos de Vafthrúdnir)
  • Grímnismál (A balada de Grímnir, A canção de Grímnir, Os ditos de Grímnir)
  • Skírnismál (A balada de Skírnir, A canção de Skírnir, A jornada de Skírnir)
  • Hárbarðsljóð (O poema de Hárbard, A canção de Hárbard)
  • Hymiskviða (A canção de Hymir, O poema de Hymir)
  • Lokasenna (A discussão de Loki, O cinsurso de insultos de Loki, A disputa de Loki)
  • Þrymskviða (A canção de Thrym, O poema de Thrym)
  • Völundarkviða (A canção de Völund)
  • Alvíssmál (A balada Alvís, A canção Alvís, Os ditos de toda a sabedoria)

Por todas as eddas, vocês poderão conhecer um pouco mais sobre a religião, os costumes e o modo de vida dos escandinavos.

Estamos diante do folclore desse povo e muita coisa aqui serviu de referência para muitos outros livros contemporâneos que tanto amamos.

Será que já vimos algo como  “anfitriões serviam à visitas comida e os visitantes receberiam proteção assim que comessem”.

Entretanto, é possível encontrar diversas ligações entre as considerações contida nas eddas, como àquelas contidas em provérbios na bíblia cristã.

Aqui veremos grandes feitos de Odin, Balder, Loki, e vários outros deuses nórdicos. Para quem se interessa por esse tipo de cultura, é um grande material para ser lido.

Confesso que no início, ler os textos em verso soa estranho. Mas é questão de costume e logo você entende o ritmo e métrica e a leitura avança. Agora quero ler a Edda em Prosa, que conta a mesma história, mas foi compilada e passada para prosa por Snorri Sturluson.

Nota –

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Li mais livros esse mês, mas farei resenhas de 5 em 5 livros. Aguardo indicações de vocês, pois estou me surpreendendo com livros que nunca havia pensado / não conhecia.

E vocês o que já leram nesse ano?

1 Comentário

  1. aa aa
    6 de abril de 2017    

    Espera só até ver o final da Torre Negra, meu caro Wookie.

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